Liderança à la Merlí: reflexões de uma visita à Universidade de Barcelona

Visitar a Universidade de Barcelona é, por si só, uma experiência marcante. Mas para quem acompanhou o seriado Merlí e sua continuação Merlí: Sapere Aude, essa visita ganha uma dimensão simbólica. Foi nesse campus histórico da Plaça de la Universitat, inaugurado em 1871, que se desenrolaram algumas das cenas mais memoráveis da jornada de Pol Rubio, o aluno que tenta seguir os passos do seu mestre Merlí Bergeron.

Sapere Aude capta os detalhes do edifício histórico: as arcadas do claustro, o piso quadriculado, e o ritmo tranquilo dos estudantes que circulam entre as aulas. Ao caminhar pelos corredores da universidade, Pol chega ao curso de Filosofia e enfrenta o impacto de um novo ambiente acadêmico.

O professor Merlí, protagonista da primeira série, é o arquétipo do líder inspirador. Ele não ensina apenas filosofia; ele ensina a pensar. Sua forma de liderança é provocadora, baseada em perguntas que desestabilizam certezas.

Merlí pode ser considerado um líder transformacional. De forma similar a um coach, Merlí faz perguntas de modo tal a estimular os seus estudantes a encontrarem repostas por si mesmos. Quando desafia um aluno a explicar o que realmente acredita, ele não busca a resposta “correta”, mas o processo de pensamento por trás dela. Essa técnica de questionamento socrático, central também no coaching, faz com que o estudante se veja como sujeito do próprio aprendizado.

Sapere Aude: a herança de Merlí e a jornada de Pol Rubio

Em Merlí: Sapere Aude, o legado do professor Merlí Bergeron ganha nova forma através de Pol Rubio, que ingressa na Faculdade de Filosofia da Universidade de Barcelona.

Nesse novo cenário, surge a figura da professora María Bolaño, interpretada por María Pujalte. O encontro de Pol com esta personagem levou a uma continuação do processo formativo iniciado por Merlí. Bolaño passou a exigir de Pol uma maior autonomia e responsabilidade, caracterizando-se como uma líder “desenvolvimental.”

Merlí Sapere Aude também conta com a argentina Minerva, de origem italiana. Essa personagem enfrenta desafios como o choque cultural e dificuldade de adaptação no trabalho e com os seus coinquilinos multiculturais.

Grande parte do crescimento de Pol durante a universidade se deve ao papel de Merlí. O professor se manteve como uma “voz interior” que impulsionava Pol a continuar buscando sentido. Merlí despertou em Pol a inquietação filosófica e o desejo de compreender o mundo além das aparências. Mais do que ensinar conceitos, ele ensinou Pol a orientar-se quando já não há ninguém para guiá-lo. Essa influência invisível mostra que o verdadeiro líder é aquele que se torna desnecessário porque deixou no outro a capacidade de pensar e decidir por conta própria.

Minha visita à Universidade de Barcelona foi, portanto, mais do que uma simples imersão cultural. Foi uma experiência de reflexão sobre o poder transformador da liderança e da educação.

Assim como Merlí transformava a sala de aula em um laboratório de ideias, líderes contemporâneos podem transformar empresas, universidades e organizações em espaços de crescimento humano. A lição que fica é clara: liderar, hoje, é mais do que orientar. É criar cultura, valorizar o diálogo e abrir espaço para que cada voz encontre seu lugar e faça a diferença.

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