Como lidar com as vulnerabilidades, vivendo no exterior?

A palavra vulnerabilidade tão comum na agricultura e na tecnologia é facilmente aplicada às pessoas que estão fora do seu próprio ambiente, principalmente fora do seu país.

A vulnerabilidade é um estado de suscetibilidade a danos, sofrimentos ou prejuízos físicos e emocionais por exposição a tensões associadas a mudanças ambientais, sociais e culturais e pela ausência total ou parcial da própria capacidade de adaptação.

Em setores específicos da agricultura se aposta no fortalecimento de uma planta ou no combate de pragas, por exemplo, a fim de reduzir os riscos do enfraquecimento e até da morte. No setor tecnológico, o investimento é orientado, principalmente, para o combate às fraudes e aos vírus.

Mas o que fazer quando se vive um estado de vulnerabilidade interior?

Normalmente, o ciclo se inicia por uma frustração em um setor específico. Pode ser um acidente ou doença pessoal ou de um parente, um desafio inesperado no trabalho, o acúmulo de tarefas e/ou o desenvolvimento de um grau leve de ansiedade. A grande questão é que a pessoa que vive no exterior, principalmente quem está sozinho, não tem com quem conversar ou esbarra na dificuldade de se abrir no seu próprio idioma. Um efeito dominó começa a afetar várias outras áreas. Por exemplo, Mary Smith (nome fictício), uma executiva atuante no setor de petróleo, se machuca. A dor faz com que ela fique mais dependente de outros, agitada e nervosa. A sua agitação faz com que ela veja o mundo de forma negativa e com isso, comece a agredir as pessoas ao seu redor, ou achar, intimamente, que elas não fazem o bastante. A carência afetiva que poderia ser resolvida se ela tivesse vários familiares e amigos para apoiá-la toma uma proporção maior. A dor do seu machucado se acentua e, assim, ela passa a ingerir mais remédios, o que acarreta outros sintomas como insônia e gastrite. De repente, ela deixa de produzir bem no trabalho, pois o sono estava comprometido. As queixas de seus superiores hierárquicos por sua falta de produtividade acentuam seu quadro nervoso e ela começa a sentir raiva de tudo. Sua continuidade na empresa fica afetada, pois a empresa está em período de cortes. Desse modo, percebendo a situação, as emoções de Mary se ampliam, fazendo com que ela sinta tristeza, raiva, dor, mágoa; mas tudo começou apenas com um pequeno machucado.

A grande verdade é que não foi apenas o machucado, foi o sentimento de vulnerabilidade que a executiva já carregava consigo por estar sozinha, em terra estrangeira, cercada de colegas, mas com poucos amigos.

Para sair desse estado de vulnerabilidade, recomendo a busca de uma vida com alegria. Ainda que Mary precisasse passar longas horas no trabalho, ela poderia buscar um hobby que a alegrasse como a dança ou a leitura. Ela, também, poderia procurar lugares e afazeres que facilitasse seu encontro com amigos, como cursos de idiomas. Ela poderia buscar grupos, comunidades, sejam elas no LinkedIn ou no Facebook, como “Apaixonados pela Dança no país (que ela mora)”. Essas buscas são simples e muitas vezes bem eficientes. Ela também poderia identificar alguns colegas de trabalho com quem ela pudesse falar, ainda que fosse generalidades, e tomar um café, dar risadas.

Mary poderia sempre contar, também, com um Programa de Coaching Transcultural para ajudá-la a se (re)conhecer e se perceber nesse novo país, nesse novo mundo. Receber apoio para acomodar melhor as emoções e estimulá-la a estar bem consigo mesma ao invés de cair nas próprias armadilhas da desilusão, da frustração, do medo de ampliar as suas perspectivas em outra cultura. Ter o acolhimento apropriado para que ela possa conversar sobre suas vulnerabilidades, aceitar suas imperfeições, compreendê-las, mitigá-las e evitar que impactem negativamente em várias áreas da sua vida. O coach poderia ajudá-la a criar ou fortalecer uma identidade coerente com seu novo papel pessoal e profissional.

Às vezes, a vulnerabilidade nos enriquece como seres humanos, amplia o nosso sentimento de pertencer nesse mundo complexo. São muitas as pessoas vivendo os mesmos desafios. Estar conectado com as nossas vulnerabilidades é estar conectado com as pessoas. Nem sempre, você estará forte o bastante para que os desafios não afetem a sua vida. Mas, poderá permanecer consciente, racional e neutro para que uma chateação ou sofrimento não destrua todas as outras áreas.

Imagine uma casa sendo incendiada. Dependendo da proporção do incêndio, ele pode ser controlado no início: você pode pedir a ajuda adequada; salvar alguns pertences; salvar a sua própria vida ou pode se desesperar, se paralisar e deixar queimar tudo.

Como pretende lidar com as suas vulnerabilidades?

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