Intolerância: ataque terrorista mata, no mínimo, 8 pessoas em Jacarta – Indonésia

A vida de um estrangeiro em Jacarta é um exercício diário de tolerância que inicia desde o nascer do sol entre nuvens cinza de elevada poluição. O calor abafado torna difícil respirar na cidade sem deixar ligado aparelhos de ar condicionado em casa e no carro constantemente. Eu chamava isso de vida em bolha. Jacarta é plena de estações de trem que causam um barulho infernal para os ouvidos mais sensíveis. Um pouco menos para os meus, altamente adaptáveis. Após alguns anos eu só percebia a diferença entre som e barulho quando ia visitar as praias de Pulau Seribu, caminhar nas areias de Bali ou meditar em Yogya. A noite chega sem o belo pôr do sol do Brasil ou as longas tardes de verão na Europa.

O bule (pronuncia bulê), como é chamado o estrangeiro, habituado com sucos, geléias, pães, rosquinhas assusta-se com o café da manhã repleto de pratos típicos das refeições principais, como arroz frito, saladas com pepino, frango altamente picante, entre outros quitutes. Há opção de solicitar uma torrada simples e chá verde com limão, se você não estiver disposto a mudar seus hábitos no primeiro dia.

Ao sair do hotel, inúmeros jovens e senhores esperam a oportunidade de transportá-lo com os mais variados meios de transporte: bajay (veículo de 3 rodas, típico da Índia), moto-taxi e taxi convencional, entre outros. Eles apagam o kretek (cigarro aromatizado) com sorriso estampado no rosto e iniciam uma conversação em inglésio (inglês+indonésio), oferecendo seus serviços. Com tanta disponibilidade e atenção, eles fazem os caminhos mais tortuosos para te levar até a rua debaixo! Os taxistas raramente dão troco e é preciso estar sempre precavido e começar a intuir o valor do taxímetro, quando utilizado. Além disso, não se pode pegar qualquer taxi, mas você se sentirá um pouco mais confortável com um motorista de um silver ou blue bird. Jacarta não tem calçada e as ruas são tomadas por ambulantes vendendo sopas e espetinhos com amendoim. O asseio é baixo e não se pode garantir uma refeição higienizada nem mesmo nos mais caros restaurantes.

Um bulê na Indonésia, normalmente, quer mais do que aumentar sua renda, visto que para se viver bem o custo de um apartamento médio é por volta de R$4.000,00 ou US$1.500,00, e é preciso passar por várias privações alimentares. O choque cultural faz com que alguns executivos desistam das vantagens oferecidas e voltem para casa. As doenças tropicais matam ou adoecem expatriados, levando-os a procurar ajuda hospitalar na cidade-estado vizinha – Cingapura. Famílias se desesperam quando seus familiares atrasam no tráfego típico da capital da Indonésia.

Tem coisas boas em Jacarta? Sim, e eu as descobri durante três anos vivendo lá, mesmo sendo vítima de inúmeras bactérias, andando de muletas por causa de uma infecção gastro-intestinal…fugindo de ataques terroristas…chorando quando perdia um amigo expatriado. Conheci pessoas maravilhosas, almas lindas em povos indonésios, porque ser indonésio ou muçulmano não é sinônimo de ser terrorista. Bem, mas um outro dia eu conto esta história, porque hoje eu só queria desabafar a tristeza por essas pessoas que têm tanta coragem para morar ou passar por Jacarta – e acabam vítimas da intolerância, quando, na verdade, estavam ali para aprender a se integrar com uma cultura e um mundo tão diferentes e fascinantes.

Para saber sobre o ataque, acompanhe: http://www.nytimes.com/2009/07/18/world/asia/18indo.html?_r=1&hp

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Um comentário sobre “Intolerância: ataque terrorista mata, no mínimo, 8 pessoas em Jacarta – Indonésia

  • Adriana,
    que lindo este trecho falando de Jacarta e Indonésia e da sua permanência alí. Se percebe toda a sua amargura por uma cidade e um país, onde você morou por três anos, que mereceria ser visitado e apreciado pelas cultura e tradições do seu povo, e que infelizmente é objecto de ataques terroristas pelos integralistas que escondem atrás das armas a incapacidade deles de Amar. Eu também vi a semana passada a morte no rosto por três ou quatro segundos, enquanto caia de uma escada da uma altura de mais dois metros. Não podia imaginar antes, quantos longos são quatro segundos. Posso compreender melhor agora o que podem provar as pessoas quando acontecem ataques terroristas ou terramotos. Agora vejo a minha vida ao ralenti, num estado de grande serenidade. Eu nasceu uma segunda vez. Todos nós somos pendurados a um fio. Pode ser um fio sutil ou espesso, mas sempre um fio. Aqueles que matam outras pessoas, de qualquer forma, talvez não tenham sido ninguém que haja lhes ensinado o que é o Amor. Fico sempre angustiado quando eu ouvir notícias deste tipo e penso sobretudo às pessoas inocentes e à criança. Mesmo que não sempre escrevo no seu blog os meus comentários, eu leio todos os seus trechos que acho ótimos. Você sempre me ajuda como coach apesar da distância.
    Com muito carinho
    Daniele (Itália)

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