Por uma sociedade mais equilibrada (e uma mulher menos equilibrista…)

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Estudos recentes do IBGE e da OIT revelaram que as mulheres, que constituem mais da metade da população brasileira, representam cerca de 44% do total de trabalhadores remunerados do país e que, inclusive, cerca de 35% das famílias são economicamente chefiadas por mulheres. Entretanto, as mulheres ganham, em média, 25% a menos do que os homens e, no tempo acumulado entre escritório e residência (desdobrando-se entre afazeres de mãe, mulher e dona de casa) trabalham cerca de cinco horas a mais do que os homens. Além disso, dados levantados pela USP em 2009 mostraram que as mulheres assumiram um papel importante no mundo corporativo, pois agora ocupam 37% dos cargos de chefia, uma porcentagem três vezes maior em respeito àquela de dez anos atrás. As mulheres também, embora com maior dificuldade, escalam degraus na política e na administração pública, tanto que, nas próximas eleições presidenciais do país, teremos, pela primeira vez em absoluto, duas candidatas com reais chances de vitória final.

Apesar de ter conquistado cada vez mais espaço e poder, as mulheres ainda sofrem um desequilíbrio de carga acumulada, que devem suportar lidando com oscilações de humor e limitações físicas e fisiológicas próprias do organismo feminino. Se, por um lado, a sociedade reconhece e valoriza cada vez mais suas qualidades de trabalhadora e sua extraordinária capacidade de equilíbrio entre vários papéis, por outro mantém preconceitos culturais e sistemas sociais que reforçam o desequilíbrio da mulher na vida pública e familiar, gerando nela um constante sentimento de culpa por não conseguir se dedicar com a mesma eficiência a tantas tarefas e responsabilidades, algumas assumidas por necessidade e ambição, outras tantas impostas pela tradição. Assim, as mulheres tentam, constantemente, se equilibrar numa sociedade desequilibrada, caindo, muitas vezes, no abismo da frustração e da depressão. As pesquisas citadas apontam que os homens trabalham em casa cerca de dez horas semanais a menos do que as mulheres, que não recebem remuneração extra por causa disso. Diante desse contexto, tendo em vista que mudanças culturais da sociedade são muito demoradas, tornam-se necessárias políticas públicas que, pelo menos, reduzam e flexibilizem a “jornada oficial de trabalho” da mulher, mantendo-se igualdade salarial com os homens, a paridade de cargo.

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