José Saramago: emocionando adultos e crianças, despertando polêmicas e dúvidas (ainda mais hoje…)

Depois de Coréia do Norte e Costa do Marfim, encerramos com Portugal a viagem cultural pelos países que enfrentaram o Brasil na primeira fase da Copa do Mundo na África do Sul…

“Tenho muita pena em não saber escrever histórias para crianças…”
Embora “A maior flor do mundo” seja considerado como seu único conto infantil, quem assistir a animação a seguir (onde ele aparece como a voz narradora e o personagem do senhor velhinho), perceberá de imediato que o grande escritor português José Saramago – que morreu com 87 anos, há pouco mais de uma semana – não falou a verdade ou, no mínimo, pecou de modéstia. Com certeza, Saramago tinha noção do “poder moral” de uma história bem contada, como demonstra a linda mensagem final deste conto: “E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”

Os adultos que acompanharam sua vida e obra, chegaram a se desentender várias vezes a respeito de Saramago. Ele ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, mas nunca foi unanimidade, até porque sempre despertou polêmica, principalmente em Portugal, seu país nativo, por suas posições políticas e declarações públicas. O escritor se manifestou várias vezes sobre Deus, negando sua existência: por isso, ele veio a ser perseguido publicamente, sendo até convidado a renunciar à nacionalidade portuguesa. A esse respeito, o poeta Manuel Alegre, seu conterrâneo, afirmou: “Ao Saramago não se perdoa ser um português que se atreveu a ganhar o Prémio Nobel da Literatura e que diz que não acredita em Deus”. Por isso, Saramago chegou até a se “autoexilar” do seu país (notoriamente, um dos mais católicos do mundo), indo morar na ilha espanhola de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde ele morreu. Contudo, apesar de demonstrar publicamente sua gratidão pela Espanha que o acolheu sem questionar suas idéias, ele nunca pensou em renegar sua identidade nacional e abandonar a nacionalidade portuguesa.

Por ironia do destino, nesta terça-feira, 29 de junho, a poucos dias da morte de Saramago, Espanha e Portugal irão se enfrentar nas quartas de final da Copa do Mundo de Futebol, na África do Sul e ninguém poderá ter sua resposta a esta pergunta: “Por qual time você vai torcer?”
O que você acha que ele iria responder se, ainda, estivesse vivo?

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