Comunicação intercultural: barreiras na comunicação com os tailandeses.

Segundo Milton J. Bennet, “Comunicação é muito mais do que uma simples transmissão de informação: é uma mútua criação de significado”.

Acredito muito nessa frase e aqui compartilho alguns relatos pessoais, de amigos ou coachees que conheceram Bangkok.

Na minha primeira visita ao país, fui almoçar com um casal. Ele era dinamarquês e ela tailandesa. Ao escolher o meu prato, um peixe; ela respirou aliviada. Logo, o marido relatou que sua esposa não comia carne de gado e estava muito preocupada com a minha escolha. Constrangida não queria interferir no meu pedido, no entanto ela era budista e acreditava que seus ancestrais vinham da vaca. Por outras motivações, eu também não comia carne de gado, mas isso marcou esse encontro e o começo de uma boa amizade com esse casal.

Até então, as minhas informações sobre Bangkok partiam de diplomatas brasileiros que estavam passando por sérias dificuldades na comunicação. Um deles me relatou: “Adriana, eles nunca falam não. Concordam com tudo, mas no final não entregam os produtos combinados”. Um diplomata da ONU mencionou a surpresa quanto à doçura no tratamento recebido em uma missão e descreveu a preocupação com os detalhes de apresentação demonstrados por toda a equipe, de uma delicadeza impressionante. No entanto, também se mostrou preocupado no sentido que eles entendessem claramente suas solicitações.

Recentemente, uma cliente de coaching desabafou que precisa trabalhar em inglês com os tailandeses e isso acrescenta um desafio ainda maior às conversas: “Existe dificuldade em fazer uma negociação em uma língua que não é sua. Os documentos são formatados em inglês de um jeito que não é adaptado ao entendimento tailandês. É um desafio ter que explicar para o lado tailandês. É a forma como cada um dá uma interpretação do texto. Tem uma série de variáveis que precisam ser consideradas. Fica nebuloso. Dificulta muito a comunicação quando você usa uma terceira língua para poder se expressar, porque não é português e nem tailandês e cada cultura tem uma lógica. Hoje foram duas horas para a minha assistente entender o que eu queria. Ela tem uma lógica divergente. Não tem como eu fazer ela pensar como eu penso. Eu tenho que me colocar ao máximo no lugar dela, como ela faz comigo. Isso cansa para cacete! No final do dia, eu estava podre, porque era difícil eu explicar“.

Todos esses profissionais com quem conversei são pessoas abertas às experiências e que desejam fazer o melhor trabalho possível. No entanto, as diferenças culturais dificultam o seu trabalho, atrasam resultados e afetam suas emoções.

No vídeo Expatriação de executivos e famílias, de oito minutos, abordo esse tema e apresento parte dessa complexidade.

No Coaching Transcultural, exercitamos o olhar atento ao outro e a criação de conexão com povos que parecem tão distantes. O tailandês tem outra filosofia de vida, religião, língua, estilo de escrita, jeito de se vestir e comportar. Mas, afinal, como disse Bennet é preciso criar significado para que a comunicação não seja somente uma transmissão de dados e informações. Aos poucos, as distâncias se reduzem e expatriados e locais desenvolvem integração.

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