O medo no ambiente organizacional

A conquista do sucesso está relacionada com o desenvolvimento de competências, mas também com a libertação dos medos. Em alguns momentos ambos estão associados. É a falta de uma competência que provoca o medo. Por exemplo, você não está habituado a conversar em inglês, porém deve conduzir uma reunião nesse idioma – isso pode ser aterrorizante. Ainda que tenha havido um treinamento prévio, o medo de se lançar pode ocorrer pela falta de prática naquela atividade. No entanto, em outros momentos, apesar de todas as condições serem favoráveis, o medo pode ainda estar presente. O medo, quando autêntico, pode ser uma emoção que nos protege. Todavia, é preciso estar atento ao medo irreal.

Segundo Joseph O’ Connor,

“o medo irreal origina-se de sua mente criativa, produzindo situações assustadoras que não aconteceram e que provavelmente não acontecerão”.

O medo é uma reação. Ele pressupõe um gatilho. No ambiente de trabalho é comum o medo de desagradar o superior hierárquico, o medo de não ser aceito pelos colegas, o medo de não ser bom o bastante, de não ter uma produtividade elevada, e até mesmo o medo de atrair atenção demais e gerar consequências negativas.

Uma colega de trabalho, certa vez, comentou comigo que estudava com cuidado os trajes para ir ao trabalho para que estivesse sempre neutra. O seu maior medo era que um chefe interpretasse que ela queria roubar o seu lugar, ou que os pares pensassem que ela queria se sobressair aos demais. Anos depois, soube que ela teve uma carreira linear, alcançou sucesso por seus méritos sem jamais chamar atenção para si mesma.

Atualmente, muitos dos meus clientes têm mencionado o temor à demissão. Momentos de instabilidade econômica, de fusão de empresas ou de avanço tecnológico acarretam preocupações nessa direção.

A pandemia foi um exemplo de evento externo, mas que levantou inquietações sobre a necessidade de se adaptar muito rápido às circunstâncias e até mesmo o pânico de ser infectado por colegas de trabalho em reuniões presenciais.

Em muitas circunstâncias, por trás do medo está a preocupação em se perder algo muito importante – a imagem positiva que foi construída de si mesmo na trajetória profissional, por meio de muita dedicação, ou até mesmo uma simples aparência.

São várias as maneiras de se trabalhar o enfrentamento de medos:

  • Coaching focado em desenvolvimento de competências,
  • Programação Neurolínguistica – PNL,
  • Neurociência,
  • mBraining,
  • técnicas do teatro como o Playback Theatre,
  • Hipnose,
  • Memórias,
  • Psicanálise, Psicologia Comportamental, Psicodrama, entre outros.

Independente das abordagens escolhidas, o profissional que se sente nessa condição terá que entrar em contato com os seus receios e traumas para melhor identificá-los. Ele também irá passar por vivências de resgate, visualizações e meditações, identificação de possíveis âncoras, e definição de metas claras para desenhar o futuro desejado.

Eu tive uma cliente de Coaching que passou anos sem querer olhar o pôr do sol. Depois de um consistente trabalho exploratório, descobrimos que ela perdeu uma pessoa muito especial nesse horário. Ela era criança, não se lembrava mais. O resultado final de nossos encontros de Coaching foi que ela conseguiu fazer as pazes consigo mesma, com sua criança traumatizada, e dar para si mesma a chance de seguir em frente.

Quando eu perdi a minha mãe, vítima de um câncer, eu dormia esgotada; mas acordava de madrugada e via de novo o seu rosto, como se estivéssemos ainda juntas no hospital. O meu medo era de perder a sua presença, então eu preferia ter o sono interrompido, mas me sentir em sua companhia. Fiz um trabalho comigo mesma de revisitar as nossas fotos, de rever a minha mãe com saúde e alegria plena. Aos poucos consegui substituir aquelas visões da madrugada por lembranças carinhosas de suas falas, e dormia em paz como se ela acariasse os meus cabelos ou tocasse os meus pés com os seus pés, algo que ela gostava de fazer.

Ao nos curarmos dos medos prejudiciais, frutos de nossa imaginação ou de uma negatividade frente ao futuro, um sentimento de confiança nos preenche. Desse modo, o melhor não é deixar nossos terrores de lado, mas aprendermos a reconhecê-los e gerí-los para que não nos limitem.

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1 comentário em “O medo no ambiente organizacional

  • Conteúdo esclarecedor e pouco explorado. Gostei muito da abordagem e de como pode ser sanado esse problema tão presente na vida de muitos.
    Eu sou um exemplo de que já deixei várias oportunidades por medo de não conseguir… Mas, nunca parei pra pensar que isso pode ser um trauma de infância ou algum episódio que marcou e que hj não lembro.

    Obrigada Adriana, por conteúdos valiosos e que nos faz refletir.

    Um beijo! Que Deus te abençoe 🙏

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