Fashion Revolution Week: vamos tecer um novo padrão para uma moda mais sustentável?

Normalmente, o processo de compra de um vestuário é realizado pelo desejo de adquirir um item belo, que nos caia bem, que, eventualmente, esteja com um preço justo. O atendimento do vendedor pode, também, ser decisivo para que a compra se efetue. Mas, você já se questionou: “quem fez minhas roupas?” Já deixou de comprar um par de sapatos ou um vestido, porque suspeitou que a loja não fosse idônea e ética com seus colaboradores? Já chegou a refletir sobre como acontece o processo de produção até a concretização da venda?

A verdade é que nos bastidores da moda pode haver exploração da mão-de-obra, com pagamento de salários irrisórios, e até mesmo escravidão de imigrantes, crianças e profissionais de baixa renda. A fim de reduzir os gastos e ampliar os ganhos, as empresas contratam, preferencialmente, latinos ou asiáticos para produzirem as roupas e os fazem trabalhar uma média de doze horas por dia, em condições miseráveis. Na indústria da moda, não são todas as marcas que privilegiam a transparência no processo de produção e às vezes por ganância dos grandes estilistas, os profissionais são desvalorizados, agredidos, e a elegância fica restrita somente às passarelas.

Um marco importante para a ampliação da consciência foi o desabamento do edifício de oito andares, que abrigava confecções têxteis, o Rana Plaza, em Bangladesh, no dia 24 de abril de 2013. O acidente matou mais de mil pessoas e deixou outros dois mil e quinhentos feridos. É importante ressaltar que os trabalhadores informaram seus chefes sobre as rachaduras no prédio, mas foram obrigados a retomar o trabalho. Essa tragédia evidenciou as precárias condições trabalhistas e de segurança das fábricas do país asiático que abastece, inclusive, grandes nomes da indústria da moda ocidental.

Na perspectiva de mudar esse cenário, um conselho global de líderes da indústria da moda sustentável se uniram e estabeleceram o movimento Fashion Revolution. A moda que é capaz de influenciar o consumo, quer agora provocar pessoas a pensar sobre o que vestem e, como direta ou indiretamente, podem tecer um novo padrão para a moda sustentável.

O evento Fashion Revolution Week é celebrado em mais de 90 países. No Brasil, haverá ações em vários estados entre os dias 24 e 30 de abril de 2017. Eu participarei da terceira edição do evento em Brasília, na quarta-feira, 26, das 19h30 às 21h30, na Casa Thomas Jefferson da Asa Norte, com a palestra “Um novo mindset para uma moda mais sustentável”. Nessa oportunidade, pretendo estimular a reflexão sobre o que orienta as escolhas de cada um no momento em que se compra uma roupa ou um acessório. Ampliar a visão e a consciência, tanto de quem produz, vende ou compra produtos da indústria da moda, é fundamental. Os impactos sociais e ambientais estão associados, ainda que indiretamente ou de forma inconsciente, com os itens que escolhemos para nos vestir ou adornar. Muitos hábitos, preconceitos ou estereótipos, bem como a desinformação e a propaganda, influenciam nossas escolhas como compradores de produtos da moda. A partir do questionamento como #quemfezminhasroupas é possível começar a mudar essa realidade, escolhendo com mais consciência social e ambiental o que vestir.

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