Mulheres são Heroínas

Jean-René, o fotógrafo francês reconhecido mundialmente como JR, exibiu o seu trabalho JR: Chronicles, no Kunsthalle München, desde 26 de setembro. Tive a oportunidade de visitar a exposição em outubro. A obra de JR me inspira, principalmente, por sua transculturalidade. Ele observa a fundo diferentes culturas e destaca pontos comuns. É arte com viés político para gerar reflexões, polêmicas, mudanças de opinião. Exatamente por isso, ele captura tanta atenção.

No Brasil, ele chamou a atenção, mostrando fotos de rostos e olhos de mulheres locais em prédios que cobrem a encosta da favela Morro da Providência. O tema era Women are Heroes (=Mulheres são Heroínas). Tive a satisfação de ver a exposição e estudar todos os detalhes da proposta no livro ilustrado do JR.

Adriana Lombardo na exposição de JR, em Munique

Mostrar esse heroísmo das mulheres é algo em comum com a minha proposta de trabalho no workshop Heroínas: como equilibrar vida pessoal e profissional. Essa minha palestra-interativa foi carro-chefe da minha empresa durante muitos anos, e correu várias organizações brasileiras, até mesmo online, quando eu já estava fora do Brasil.

Ontem, 25 de novembro, era o “Dia Internacional para Eliminação da Violência Contra as Mulheres“. Para mim, tanto propagar a importância da não-violência como mostrar o valor da mulher na sociedade são importantes, e fazem parte da mesma pauta.

No video abaixo, JR fala sobre essa valorização da mulher da favela Providência, mas esses rostos que ele fotografou representam todas nós. Não obstante, é importante destacar esse heroísmo na mulher da favela que consegue alimentar seus filhos, dar educação, e formação moral ao mesmo tempo que as drogas e os crimes são convites constantes nessas comunidades.

No Rio de Janeiro, JR, também ganhou a paixão das crianças, com a construção da escultura Casa Amarela. Ele queria prover atividades culturais na comunidade. O apoio do Mauricio Hora foi importante, porque trazia o olhar de um fotógrafo e pesquisador local.

Embora pareça algo distinto, ao promover arte e cultura para crianças das favelas, o benefício impacta nas mães também. Os seus filhos ampliam a visão de mundo, enxergam novas perspecitvas de vida e de carreira. Vislumbram uma profissão de professor de artes, de fotógrafo, de artista, de ator, de músico, etc. Enquanto os filhos estão em locais confiáveis, a mãe se sente menos pressionada. Ela pode trabalhar fora, aumentar a renda de casa, e/ou ampliar os momentos de liberdade, ainda que sejam conversando com outras mães, enquanto esperam os filhos terminarem uma aula de pintura, por exemplo.

O JR. fez outros belos trabalhos em São Paulo, e em tantos lugares do mundo. Posso contar mais depois. No entanto, nesse post, deixo essa mensagem especial para as mulheres heroínas das favelas, as profissionais autônomas, as donas de casa, as estudantes, as executivas… todas que merecem o reconhecimento de seu trabalho, e não a violência.

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