Por que a final do MasterChef 2018 desapontou tanto o público?

Ontem à noite, terça-feira, 31 de julho, na Band, aconteceu a grande final do programa MasterChef Amadores. A disputa acirrada estava entre Hugo Merchan e Maria Antônia Russi. A grande torcida no mezanino e nas redes sociais era para Hugo. O cirurgião-dentista, de 25 anos, entrou e se manteve no Programa, graças às “repescagens”. No entanto, sua permanência, ao longo de tantos episódios, foi mantida, devido a muita disciplina, estudo, determinação, liderança, autoconfiança, e também muita sutileza, delicadeza e primor na apresentação dos pratos. Ele foi crescendo no MasterChef, se aprimorando, se destacando e mostrando que o sucesso é alcançado por resultados, mas também graças a uma trajetória de (re)conquista, esforço e superação.

No Brasil, a juventude brasileira, em particular, está em um momento carente de bons exemplos e fontes para se inspirar a ser melhor. Muitas vezes, diante das posturas negativas dos jovens, e até mesmo dos adultos, no tratamento rude, na postura sem ética e oportunista, no jeitinho de querer tirar vantagem em tudo; as pessoas acabam achando que serem boas, honestas e íntegras pode não valer a pena. Com índole boa, Hugo, do alto do mezanino, mostrava-se sempre feliz com os elogios dos jurados tecidos até mesmo para os seus adversários. Ele não travou uma guerra com ninguém. Ele só competiu consigo mesmo, desafiando-se a ser um cozinheiro melhor a cada dia. Nas redes sociais, hoje, após o resultado da final, alguns internautas brincam que na sua sobremesa faltou açúcar, porque ele era o próprio doce. A comunicação verbal e não-verbal desse jovem fazia o telespectador brilhar os olhos. Ele gerou paixão e inspiração. Quantas pessoas querem ser como o Hugo, querem seguir suas redes, mas, principalmente, os seus passos.

A decepção do público veio, porque acostumados aos finais felizes das novelas da Rede Globo, todos queriam uma certa “justiça”. A aposta era na trajetória do Hugo, pela atenção aos detalhes que ele demonstrava e suas inúmeras competências: organização de sua bancada de trabalho; escuta ativa das sugestões dos jurados e colegas; planejamento; mente brilhante e estruturada, capaz de replicar pratos de grandes cozinheiros; ousadia em sair da zona de conforto e se desafiar a ser contemporâneo; postura profissional e de aprendiz; atitude centrada, ética, delicada e inspiradora; inteligência emocional; busca íntima por deixar a insegurança e a timidez dar espaço para o autocontrole e a autoconfiança, de maneira equilibrada. O público queria sentir que esse padrão de comportamento vale a pena, porque, no íntimo, todos nós queremos estímulos para sermos melhores.

É importante lembrar que, independente da leitura individual do que é justo ou injusto, a final do MasterChef ainda é só um capítulo da trajetória de vida desse cozinheiro que deixou o amadorismo faz muito tempo. A sua novela pessoal ainda tem muito para ser escrito e se ele mantiver essa postura, ainda ganhará muitos prêmios pela frente. Hugo, agora, será, para mim, mais um exemplo de “mindset de crescimento”, quando eu der os meus próximos cursos.

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6 ideias sobre “Por que a final do MasterChef 2018 desapontou tanto o público?

  • O seu comentário está ótimo. Ele realmente fazia juz ao prêmio.
    Acredito que o fato da Maria Antônia ser mulher e mãe ela acabou sendo gratificada por isso e tbem mais velha .
    Eu simplesmente não gostei do resultado. Ela não brilhou durante a competição e se mostrava uma pessoa que não tinha muita consideração pelos colegas tanto que a maior torcida ficou com Hugo lá no mezanino. Uma pena.

    • As pessoas, hoje, não querem mais ver um único resultado. Elas querem um histórico, uma trajetória de trabalho, coerência, mas também valores nobres. Precisamos investir na mudança de mindset.

  • Hugo é tudo isso,e muito mais.Já é um vencedor nato.Assisti todos os episódios e vi o quanto profissional ele se tornou,diante das adversidades. Sempre dedicado ,humilde e generoso. Nao há explicação para o resultado. Parabéns pelo texto,Adriana.

    • Suzana, agradeço sua presença aqui no blog. Fico feliz que tenha apreciado o texto. Notei que gostou, em particular, de ver uma história de superação e um jovem com valores éticos. Você ressaltou a humildade. Achei, também, esse aspecto bem marcante no Hugo Merchan.
      Volte sempre!

  • Hugo. Hugo. Hugo. A explicação para ele ser quem ele é, desconheço. Apenas sei que ele é estupendo.

    • Que emoção gostosa e contagiante, Mariangela!
      Muito obrigada por seu comentário e volte sempre!

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